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Ilhabela: o que fazer por perfil e roteiro por dia

Equipe Momento · 16 de outubro de 2026

Ilhabela: o que fazer por perfil e roteiro por dia

Em Ilhabela, o que fazer depende de que lado da ilha você acorda. Do lado do canal, a água é calma, a estrada é asfaltada e o dia rende praia, cachoeira curta e jantar na Vila. Do lado do oceano, não há asfalto: Castelhanos e o Bonete pedem jipe, barco ou horas de trilha. Cerca de 85% da ilha está dentro do Parque Estadual, e é ele que dita o ritmo das aventuras.

A seguir, as atrações estão agrupadas por perfil: família com crianças, aventura no mar aberto, cachoeiras, mergulho, baleias e noite. No fim, há combinações prontas para três a cinco dias. Para a história e o panorama da cidade, veja o guia completo para conhecer Ilhabela.

Ilhabela com crianças: praias do canal e cachoeiras fáceis

O lado oeste, voltado para o continente, é o mais tranquilo para quem viaja com crianças. As praias têm acesso por asfalto, quiosques e mar de canal. Vento sul pode agitar a água mesmo desse lado, então olhe o mar antes de escolher a praia do dia.

Praias de mar calmo

  • Perequê, Pinto e Viana: praias de família, de mar calmo e acesso fácil, com quiosques. O Perequê fica perto da balsa e tem ciclovia na orla. O Pinto está dentro de um condomínio e não aparece da estrada.
  • Praia do Julião: enseada pequena no sul, com piscinas entre as pedras. Na maré baixa, é boa para o primeiro snorkel das crianças. Desce-se por uma trilha curta a partir da estrada.
  • Praia do Jabaquara: no extremo norte, depois de um trecho de terra. Tem mar parado e um rio desaguando na areia. Os borrachudos ali são intensos; leve repelente com icaridina.
  • Praia do Curral: a mais movimentada da ilha, a cerca de 9 km da balsa, com quiosques, ducha e estacionamento. Na temporada, chegue antes das 10h para ter vaga.

Para comparar todas as praias por estrutura e perfil, veja as melhores praias de Ilhabela.

Crianças brincando no mar raso e calmo de uma praia do lado do canal em Ilhabela
Foto: Guilherme Bonelli · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Cachoeiras para ir com crianças

  • Cachoeira da Toca: quedas pequenas, poços e toboáguas naturais no início da estrada de Castelhanos, perto da Vila. Reserve meio período.
  • Cachoeira dos Três Tombos (Pancada d'Água): três quedas a cerca de 720 metros de trilha da Praia da Feiticeira. Uma hora basta, e dá para emendar com a praia.
  • Trilha da Água Branca: começa perto da portaria do parque, na estrada de Castelhanos, e é leve e bem demarcada. Leva a vários poços; conte cerca de 2h30.

Uma regra vale para todas: no verão, as pancadas de fim de tarde podem provocar cabeça d'água. Saia do rio ao primeiro sinal de água barrenta ou de correnteza mais forte.

Snorkel e escuna

A Ilha das Cabras fica em frente à praia das Pedras Miúdas, perto da balsa. É um santuário ecológico submarino municipal, e com a pesca proibida os peixes aparecem já na beira. É o lugar clássico para o primeiro snorkel e para o batismo de mergulho.

Num dia de mar calmo, a escuna pelo canal resolve a tarde em poucas horas. Os passeios param para banho na Praia da Fome e no Jabaquara. O nome da Fome remete ao período em que africanos escravizados desembarcavam ali, uma história que vale contar a bordo.

Aventura no lado do oceano: Castelhanos e Bonete

O lado leste recebe as ondas do oceano e abriga comunidades caiçaras. Não há asfalto, o sinal de celular é fraco ou inexistente e o dinheiro em espécie ainda manda. Cada uma dessas praias pede um dia inteiro.

Castelhanos de 4x4 ou de barco

A Praia de Castelhanos é uma baía de cerca de 1,8 km que, vista do mirante no canto da praia, tem formato de coração. As ondas atraem surfistas, e os quiosques e restaurantes caiçaras servem peixe da pesca artesanal. Na comunidade há casas de farinha onde a mandioca vira a farinha do pirão.

A ida pela Estrada-Parque cruza o Parque Estadual por cerca de 22 km de terra e serra. Só passam veículos 4x4, e a maioria dos visitantes vai nos jipes das agências locais. O parque controla o acesso, com limite diário de veículos e horários de subida e de volta. No fim da estrada, quem não é morador nem autorizado deixa o carro num bolsão e segue a pé.

A combinação mais procurada é jipe na ida e barco na volta: você cruza a mata por terra e volta pelo mar. Dá também para ir só de barco, saindo do Perequê ou de outras praias do canal. A estrada fecha para visitantes depois de chuvas fortes, como entre 22 de fevereiro e 2 de março de 2026; confirme a situação com o parque na véspera.

De Castelhanos parte a trilha da Cachoeira do Gato, a queda mais alta do parque, com cerca de 40 metros. São cerca de 4 km de ida e volta, o que cabe no mesmo dia.

Vista do alto da Praia de Castelhanos, em Ilhabela, com a baía em formato de coração cercada de mata
Foto: Iuri bertolini · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Trilha do Bonete

O Bonete é uma vila de pescadores no sul, com quase 2 km de areia, ondas fortes e nenhuma estrada. A trilha parte da Ponta da Sepituba, no fim da estrada do sul, e tem cerca de 12 km de ida. Conte de 3 a 6 horas, conforme o ritmo e o estado do caminho.

No percurso ficam as cachoeiras da Laje e do Areado. Quem faz a trilha costuma contar que o trecho entre as duas é o mais duro, com sobe e desce e pedras escorregadias. Se o objetivo é só um banho de cachoeira, pare na Laje, a cerca de 2,3 km do início.

A volta de barco é a escolha de muita gente: de lancha, o Bonete fica a cerca de 40 minutos. Saia cedo, leve água, repelente e dinheiro, porque na vila não há sinal de celular. Na areia, repare nas canoas de madeira feitas pelos próprios pescadores.

Canoas de madeira dos pescadores na areia da Praia do Bonete, em Ilhabela
Foto: Lucailhabela · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Pico do Baepi

Para quem quer o desafio mais alto, o Pico do Baepi sobe até cerca de 1.048 metros, com vista do canal. A dificuldade é alta, e a subida exige guia e agendamento. Reserve o dia inteiro.

Cachoeiras do Parque Estadual de Ilhabela

A ilha tem mais de 300 cachoeiras catalogadas, e a maior parte das trilhas fica dentro do Parque Estadual. Elas funcionam de dia, e algumas pedem agendamento ou guia; confirme as regras no centro de visitantes. Além das cachoeiras fáceis citadas acima, duas valem o esforço extra:

  • Cachoeira do Paquetá: no bairro do Ribeirão, no sul, com um poço de borda que dá vista para o mar. São cerca de 20 minutos de trilha, íngreme em trechos.
  • Cachoeira do Gato: a mais alta do parque, a partir de Castelhanos, descrita acima.

Os meses secos, de junho a agosto, são os mais seguros para cachoeira. Para escolher entre todas as quedas, veja as melhores cachoeiras de Ilhabela.

Mergulho em Ilhabela: naufrágios e a Ilha das Cabras

A costa sul de Ilhabela acumula naufrágios, e o mergulho é um dos motivos de viagem à ilha. O mais famoso é o do transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias, que afundou em 1916. Outros cascos, como o do Velasquez, começam a cerca de 5 metros de profundidade.

As operadoras locais levam aos naufrágios da costa sul. O passeio exige credencial de mergulho ou curso, e ocupa meio dia. Quem nunca mergulhou começa pelo batismo na Ilha das Cabras, perto da balsa.

No inverno, a água fica mais fria e mais clara, o que favorece a visibilidade. É também a época das baleias, e dá para combinar as duas coisas na mesma viagem.

Mergulhador nadando junto aos destroços de um naufrágio na costa de Ilhabela
Foto: Eduardofebronio · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Baleias em Ilhabela: jubartes de maio a agosto

Todo inverno, as baleias jubarte passam pelo litoral norte paulista, e o canal de Ilhabela concentra essa passagem. A temporada vai de maio a agosto, com pico em julho. Em 2026, a primeira jubarte foi vista em 16 de abril.

Os passeios de barco saem com biólogos ou educadores ambientais a bordo. Pela regra do Ibama, os barcos mantêm 100 metros de distância dos animais e não podem persegui-los. Nadar ou mergulhar com as baleias é proibido.

Em julho, a ilha enche com as férias escolares e com a Semana Internacional de Vela. Se a ideia é ver baleias com menos gente, junho e agosto são boas apostas.

Cauda de uma baleia jubarte saindo da água no mar de Ilhabela
Foto: Adriano Perna · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

A Vila à noite e a história de Ilhabela

A noite de Ilhabela termina na Vila, o centro histórico. Ali ficam a Igreja Matriz de Nossa Senhora d'Ajuda e Bom Sucesso, o casario colonial, a Rua do Meio e o Píer da Vila. O melhor horário é o fim da tarde: você vê o sol baixar no canal e segue a pé para o jantar.

A Vila reúne a maior concentração de restaurantes e bares da ilha. É ali que vale provar o azul-marinho, peixe cozido com banana-da-terra verde que tinge o caldo. Nos fins de semana da temporada, reserve mesa.

No norte, a Fazenda Engenho d'Água, tombada pelo Condephaat, guarda a sede de um antigo engenho de cana. A visita leva cerca de meia hora e conta o período colonial da ilha. É também uma boa saída para dia de chuva, combinada com a Vila.

Igreja Matriz e casarões coloniais da Vila de Ilhabela no fim da tarde
Foto: Plácido Cali · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Vela e eventos

Os ventos constantes do canal deram a Ilhabela o título de Capital Nacional da Vela. A Semana Internacional de Vela acontece no fim de julho, e em 2026 foi de 24 de julho a 1º de agosto. Na Armação, no norte, o vento atrai praticantes de kitesurf e windsurf. Para a história e as regatas, veja Ilhabela, capital nacional da vela.

O calendário cultural também orienta a viagem. Em maio, a Festa de São Benedito e a Congada ocupam a Vila na Semana da Cultura Caiçara. Para a programação de dezembro a março, veja o artigo sobre o verão em Ilhabela.

Roteiro em Ilhabela: combinações por dia

A regra que organiza qualquer roteiro é simples: um lado da ilha por dia. O trânsito da temporada torna lentas as idas entre o sul e a Vila, e Castelhanos e o Bonete ocupam o dia inteiro.

Dia3 dias4 dias5 dias
1Praias e cachoeiras do sul (Julião, Feiticeira, Três Tombos); noite na VilaIgualIgual
2Castelhanos: jipe na ida, barco na voltaIgualIgual
3Escuna pelo canal ou mergulho; noite na VilaEscuna pelo canalEscuna pelo canal
4—Mergulho ou Toca e Água Branca; Engenho d'ÁguaMergulho ou cachoeiras do norte
5——Trilha do Bonete, com volta de barco

Por perfil

  • Família com crianças: um dia no Perequê ou no Viana com a Cachoeira da Toca à tarde; um dia de escuna com banho na Fome; um dia de snorkel na Ilha das Cabras e praia no sul. Castelhanos de barco, se o mar estiver calmo.
  • Aventura: Castelhanos de jipe com a Cachoeira do Gato; trilha do Bonete; Pico do Baepi com guia. Deixe um dia de folga entre as trilhas longas.
  • Inverno, de maio a agosto: passeio de baleias pela manhã, mergulho em naufrágio no dia seguinte e cachoeiras nos dias secos. As noites frescas pedem a Vila.
  • Fim de semana curto: praias do sul com Três Tombos no sábado e escuna ou Castelhanos no domingo. Evite chegar na sexta à tarde, quando a fila da balsa é mais longa.

Para escolher a região da hospedagem conforme o roteiro, veja onde ficar em Ilhabela.

Perguntas frequentes

Quantos dias ficar em Ilhabela?

Três dias cobrem o essencial: um dia no sul, um em Castelhanos e um de mar. Com quatro, sobra tempo para mergulho ou cachoeiras. Com cinco, dá para incluir o Bonete.

Precisa de carro para passear em Ilhabela?

Não é obrigatório. O ônibus municipal liga a balsa às praias do norte e do sul e custa R$ 4,80 com o Bilhete Eletrônico. O carro dá mais liberdade, mas veículos de fora pagam a Taxa de Preservação Ambiental, de R$ 48 por carro.

Como ir a Castelhanos?

De jipe 4x4 pela Estrada-Parque, cerca de 22 km de terra, ou de barco. A estrada tem limite diário de veículos e fecha depois de chuvas fortes. Confirme a situação com o Parque Estadual antes de ir.

Qual a melhor época para ver baleias em Ilhabela?

De maio a agosto, com pico em julho. Os passeios seguem a regra do Ibama de 100 metros de distância dos animais.

Ilhabela é boa para ir com crianças?

Sim, pelo lado do canal. Perequê, Pinto e Viana têm mar calmo e estrutura, e a Cachoeira da Toca tem poços rasos e toboáguas. Leve repelente com icaridina por causa dos borrachudos.

O que fazer em Ilhabela em dia de chuva?

Visite a Vila e a Fazenda Engenho d'Água e aproveite os restaurantes de cozinha caiçara. Evite cachoeiras logo depois da chuva, pelo risco de cabeça d'água.

Planeje no guia de Ilhabela do Momento

O guia de Ilhabela no Momento reúne no mapa as praias, cachoeiras e trilhas citadas aqui. Tem também a agenda de eventos da ilha, roteiros prontos e o guia offline, útil em Castelhanos e no Bonete, onde o sinal some. Abra o guia de Ilhabela e monte os seus dias.