Ubatuba: guia para conhecer a cidade das 102 praias
Equipe Momento · 16 de outubro de 2026
Pela Rio-Santos, Ubatuba aparece aos pedaços: uma enseada, um morro de mata, outra enseada. São 102 praias numa costa onde a Serra do Mar desce até a areia. Cerca de 80% do município é parque estadual, e muitas praias só se alcançam por trilha ou estrada de terra.
Ubatuba é a cidade mais ao norte do litoral paulista, na divisa com Paraty. Tem cerca de 93 mil moradores e fica a uns 225 km de São Paulo. Não é uma cidade de uma praia só: é uma faixa longa de bairros, vilas e enseadas ligados pela rodovia.
Por isso vale pensar em três Ubatubas. O centro e o Itaguá têm serviços, restaurantes e a noite. O sul tem mar calmo e bairros de família. O norte junta as ondas de surfe, as trilhas e as vilas de pescadores.
Por que ir a Ubatuba
A primeira razão é a variedade. Na mesma cidade você encontra orla urbana com quiosques, enseada de água parada para criança e praia selvagem atrás de um rio. Há ainda cerca de 20 ilhas na costa, como a Anchieta e a das Couves.
A segunda é a mata. O Núcleo Picinguaba, no norte, é o único trecho do Parque Estadual da Serra do Mar que chega ao mar. Lá a floresta, os rios e as praias formam um só território, com o Quilombo da Fazenda dentro do parque.
A terceira é o surfe. Uma lei estadual de 2007 deu a Ubatuba o título de Capital do Surfe de São Paulo. Itamambuca recebe etapas profissionais quase todo ano, e a prefeitura mantém uma escolinha gratuita desde 1995.
A história de Ubatuba: da Paz de Iperoig à Rio-Santos
Antes dos portugueses, a costa era dos tupinambás, que os colonos chamavam de tamoios. No século XVI, eles se uniram na Confederação dos Tamoios, com apoio dos franceses, contra a escravização praticada pelos colonos.
Em 1563, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta foram à aldeia de Iperoig negociar a paz. Anchieta passou meses na aldeia como refém enquanto o acordo se fechava. O tratado ficou conhecido como Paz de Iperoig, costuma ser lembrado como o primeiro tratado de paz das Américas.
Conta a tradição que, nesses meses, Anchieta compôs o Poema à Virgem na areia da atual Praia do Cruzeiro. Hoje a Cruz da Paz de Iperoig fica nessa praia, colada ao centro histórico.
A vila portuguesa nasceu por volta de 1600, em torno de uma capela da Santa Cruz. Em 1637 virou vila com um nome comprido: Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba. Só em 1855 passou a cidade, já com o nome atual. O nome vem do tupi; o IBGE o liga à cana-brava usada em flechas, e outras fontes traduzem como lugar de muitas canoas.
O porto chegou a ser um dos mais movimentados da capitania. Uma ordem do governador Bernardo José de Lorena obrigou as exportações a passar por Santos, e a vila perdeu força. No século XIX, o café do Vale do Paraíba voltou a descer a serra até Ubatuba. O Sobradão do Porto, de 1846, é dessa fase.
Quando as ferrovias levaram o café para Santos e para o Rio, a cidade ficou isolada por décadas. A estrada para Taubaté só abriu em 1933. A Rio-Santos, nos anos 1970, trouxe o turismo em massa. Em 1977 vieram o Parque Estadual da Serra do Mar e o Parque Estadual da Ilha Anchieta. Juntos, protegem boa parte da mata em volta das praias.
As regiões de Ubatuba: centro, sul e norte
As praias se espalham por dezenas de quilômetros de rodovia. No verão, ir de uma ponta à outra pode levar muito tempo, então escolher a região é a decisão mais importante da viagem.
| Região | Como é | Praias e lugares | Para quem |
|---|---|---|---|
| Centro e Itaguá | Urbana, com comércio e vida noturna | Itaguá, Cruzeiro, Praia Grande, Tamar, Aquário | Quem vai sem carro ou pela primeira vez |
| Sul | Mar em geral calmo, bairros de família | Toninhas, Enseada, Lázaro, Domingas Dias, Lagoinha, Maranduba | Famílias com crianças e quem quer barco para a Ilha Anchieta |
| Norte | Rústica, mata, ruas de terra | Itamambuca, Félix, Prumirim, Puruba, Picinguaba, Fazenda | Surfistas, casais e quem prefere natureza |
Centro e Itaguá
O centro guarda a história: o Sobradão do Porto, a Igreja Matriz, o Paço Nóbrega e o Mercado de Peixe. Ao lado, o Itaguá concentra a noite na Rua Guarani, com bares, restaurantes e sorveterias. As praias do centro não são as melhores para banho, então o dia de praia costuma ser em outro lugar.
Sul de Ubatuba
No Lázaro e na Enseada, o mar costuma ser raso e calmo, bom para criança e para caiaque. Do Saco da Ribeira saem os barcos para a Ilha Anchieta. Mais longe, entre a Lagoinha e a Fortaleza, fica a Trilha das Sete Praias, e na Maranduba os bairros têm comércio próprio.
Norte de Ubatuba
O norte é o lado do surfe e da mata. Itamambuca tem ondas constantes, e o Félix junta ondas de um lado e piscina natural do outro. Mais acima, Picinguaba é uma vila de pescadores de onde saem os barcos para a Ilha das Couves.
Para escolher o bairro da hospedagem, veja onde ficar em Ubatuba, região por região.
O que fazer em Ubatuba
Com 102 praias, o roteiro se faz por região e por tipo de mar. As de surfe ficam no norte; as de mar calmo, no sul; as selvagens, no fim de trilhas e estradas de terra. A seleção completa está em as melhores praias de Ubatuba.
Os passeios de barco são o segundo pilar. A Ilha Anchieta, a 30 minutos do Saco da Ribeira, tem sete praias e as ruínas de um presídio que funcionou de 1908 a 1955. A Ilha das Couves, a 15 minutos de Picinguaba, tem água transparente e limite de 177 pessoas ao mesmo tempo. Em 2026, a escuna para uma das duas custa de R$ 100 a R$ 180 por pessoa.
A Serra do Mar cuida das trilhas e cachoeiras. A Trilha das Sete Praias tem cerca de 10 km e leva umas 6 horas com paradas para banho. O Pico do Corcovado, com 1.168 m, é o ponto mais alto da cidade e exige monitor e agendamento. A Cachoeira do Prumirim fica a poucos metros da Rio-Santos. Os detalhes estão em as melhores trilhas e cachoeiras de Ubatuba.
Para quem já surfa, as ondas fortes estão em Itamambuca, na Vermelha do Norte e no Félix. Para aprender, a Praia Grande, as Toninhas e o Perequê-Açu são as indicadas. A história do título e as melhores ondas estão em Ubatuba, capital do surfe.
No dia de chuva, a cidade tem plano. O Projeto Tamar, no Itaguá, mostra tartarugas marinhas em tanques. O Aquário, na Rua Guarani, abre todos os dias das 9h às 22h. O centro histórico se vê em meia manhã. Mais ideias por perfil estão em o que fazer em Ubatuba.
O que comer em Ubatuba e a cultura caiçara
A cozinha de Ubatuba é caiçara: peixe, frutos do mar, farinha de mandioca e banana. O prato que define a cidade é o azul-marinho, peixe cozido com banana verde e servido com pirão. A cor azulada vem da reação entre os taninos da banana e a panela de ferro.
O inverno é a época da tainha na brasa, servida nas barracas das festas de pescador. O camarão aparece em moqueca, bobó e na moranga. A juçara, fruto de uma palmeira da Mata Atlântica, é consumida como o açaí.
A cultura caiçara mistura indígenas tupis, portugueses e africanos escravizados. Ela aparece na pesca artesanal, nas canoas de um tronco só, no fandango e nas festas de santo. A Festa de São Pedro Pescador acontece desde 1923, em junho, com procissão de barcos enfeitados e corrida de canoas.
O município tem quatro quilombos reconhecidos: Caçandoca, Cambury, Fazenda e Sertão de Itamambuca. Há também as aldeias guaranis Boa Vista e Renascer. No Quilombo da Fazenda, a comunidade recebe visitantes com trilhas, oficina de farinha e almoço tradicional.
O calendário de inverno é o mais cheio de festas. Em julho vêm a Festa do Divino, a Festa da Mandioca, o Festival do Camarão da Almada e o Festival de Culturas do Cambury. Em agosto, a Caiçarada reúne corrida de canoas, fandango e jongo na Praia do Cruzeiro. E em 28 de outubro, aniversário da cidade, há feriado e desfile na Avenida Iperoig.
Quando ir para Ubatuba
Chove em Ubatuba o ano todo, cerca de 2.500 mm. Não é à toa que a cidade ganhou o apelido popular de "Ubachuva". A chuva se concentra de dezembro a março, em geral em pancadas no fim da tarde.
A melhor época geral é de abril a maio e de setembro a novembro, fora das férias. Chove menos que no verão, a água ainda permite banho e a cidade fica mais vazia e barata.
| Época | Meses | Como é |
|---|---|---|
| Verão | Dezembro a março | De 23 °C a 30 °C, a época mais chuvosa. Lotação no Réveillon e no Carnaval, trânsito pesado e diárias mais altas |
| Outono | Abril a junho | De 18 °C a 26 °C. Baixa temporada, praias vazias, mar ainda agradável em abril |
| Inverno | Julho a setembro | De 16 °C a 24 °C, os meses mais secos. Férias de julho e festas enchem a cidade; mar frio, boa época para trilhas |
| Primavera | Outubro e novembro | De 19 °C a 27 °C. Cidade tranquila e preços de baixa temporada até o começo de dezembro |
De junho a outubro, baleias jubarte passam pela costa. Para banho de mar, os meses mais quentes vão de novembro a abril. Depois de temporais, evite as cachoeiras, por causa das cabeças d'água. Para o verão e a virada do ano, leia Réveillon e verão em Ubatuba.
Como chegar em Ubatuba
De São Paulo há duas rotas, ambas com descida de serra. A mais direta para o centro vai pela Dutra até Taubaté e desce a Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), passando por São Luiz do Paraitinga. São cerca de 225 km.
A outra segue pela Ayrton Senna e pela Carvalho Pinto até São José dos Campos. Dali, desce a Rodovia dos Tamoios até Caraguatatuba e continua pela Rio-Santos. É a mais prática para as praias do sul, e sem trânsito leva cerca de 3h30.
Do Rio de Janeiro, são cerca de 319 km pela Rio-Santos, passando por Angra dos Reis e Paraty, em 5 a 6 horas. De ônibus, a Litorânea liga o Terminal Tietê a Ubatuba em 3h30 a 4h30, mais em feriados. Do Rio, o caminho usual é ir até Paraty e trocar de ônibus.
Quem vem de avião costuma descer em Guarulhos, a cerca de 210 km, ou em Congonhas. O Aeroporto de São José dos Campos é o mais próximo, a 133 km, mas tem poucos voos de passageiros.
Como circular em Ubatuba e a TPA
No centro e no Itaguá dá para fazer quase tudo a pé ou de aplicativo. Para o norte e o sul, o carro é quase indispensável. O ônibus municipal sai do terminal do Centro pela Rio-Santos, mas muitas praias ficam longe do ponto.
Vários acessos são de terra, e algumas praias, como Domingas Dias, só se alcançam por dentro de condomínio ou a pé. Desde 9 de outubro de 2026, a Zona Azul Praias custa R$ 50 por até 12 horas. Ela vale em 18 praias, entre elas Praia Grande, Enseada e Itamambuca.
Quem chega de carro de fora paga a Taxa de Preservação Ambiental, a TPA. Ela vale para veículos que ficam mais de quatro horas, por dia, o ano todo. Em 2026, o carro de pequeno porte paga R$ 13,86 por dia, e a moto, R$ 3,72.
Não há cancela: câmeras leem as placas nas entradas. O pagamento é pelo site ou aplicativo da EcoUbatuba, em até 30 dias após a saída. Confira o endereço antes de pagar, porque já circularam sites clonados. Carros de cidades vizinhas, como Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Paraty, são isentos.
Quantos dias ficar em Ubatuba
Um fim de semana dá para conhecer uma região, não a cidade. Se você tem dois ou três dias, escolha o sul ou o norte e fique perto dele.
Com quatro ou cinco dias, dá para dividir a viagem por região. Um dia no norte, entre o Félix, o Prumirim e a cachoeira. Um dia em Itamambuca. Um dia de barco, para a Ilha das Couves ou a Anchieta. Um dia na Trilha das Sete Praias. Deixe as noites para o Itaguá e guarde um dia para a chuva, com Tamar, Aquário e centro histórico.
Perguntas frequentes sobre Ubatuba
Quantas praias tem Ubatuba?
O site oficial de turismo da prefeitura lista 102 praias. Elas vão de orlas urbanas, como a Praia Grande, a enseadas que só se alcançam por trilha, como as da Trilha das Sete Praias.
Quanto custa a TPA de Ubatuba?
Em 2026, a taxa diária é de R$ 13,86 para carro de pequeno porte, R$ 20,78 para utilitário e R$ 3,72 para moto. Ela vale para veículos de fora que ficam mais de quatro horas na cidade e se paga pela EcoUbatuba em até 30 dias.
Qual a melhor época para ir a Ubatuba?
De abril a maio e de setembro a novembro, fora das férias. Chove menos que no verão, a cidade fica vazia e os preços caem. Para banho de mar quente, prefira de novembro a abril.
Qual a melhor região para ficar em Ubatuba?
Depende do perfil. O centro e o Itaguá servem a quem vai sem carro e quer noite. O sul serve a famílias com criança. O norte serve a surfistas e a quem quer natureza.
Dá para ir a Ubatuba sem carro?
Dá, se você ficar no centro ou no Itaguá e usar ônibus, aplicativo e passeios de barco. Para as praias do norte e do sul, sem carro tudo fica mais lento, e várias praias ficam longe do ponto de ônibus.
Qual a distância de São Paulo a Ubatuba?
Cerca de 225 km pela Dutra e pela SP-125, via Taubaté. Pela Tamoios e pela Rio-Santos, a viagem leva cerca de 3h30 sem trânsito.
Ubatuba no guia do Momento
No guia de Ubatuba do Momento, as 102 praias, as trilhas, as cachoeiras e os passeios estão no mapa, separados por região. Lá estão também a agenda de eventos, com as festas caiçaras e quilombolas, e roteiros prontos. Antes de ir, baixe o guia offline: em trilhas como a das Sete Praias, o sinal de celular falha. Abra o guia de Ubatuba e monte a sua viagem.
